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Relatos de um Caçador


Há muito tempo venho rastreando este monstro...


Ele se esconde sob uma aparência inocente, mas seus olhos avermelhados e a pele acinzentada, mal disfarçados, revelam sua verdadeira natureza.


Essa criatura da noite — um vampiro — vem aterrorizando a região há décadas. Ninguém conhece sua origem. Pode ter centenas, talvez milhares de anos. Seu modus operandi é peculiar: prefere caçar civis entre trinta e cinco e cinquenta anos, principalmente humanos. Sempre encontro os corpos da mesma forma — o sangue drenado até a última gota, a pele fria, rígida, sem qualquer sinal de vida.


Talvez ele acredite que eu nada sei a seu respeito. Que sua presença permanece oculta, desconhecida. Engana-se. Caço o vampiro conhecido como Sardom há pelo menos dois anos e, nesta noite, presenciei algo incomum: foi a única interação dele com outra pessoa que não terminou em morte.


Ainda assim, a nova figura era quase tão enigmática quanto ele.


O “homem” estava coberto da cabeça aos pés. Usava um manto escuro e uma bandana que lhe ocultava o rosto do nariz para baixo. Não consegui ver nada acima disso — o capuz escondia o restante da face. Apenas ouvi, à distância, um nome… ou talvez um apelido.


“Edin”, foi assim que Sardom o chamou.


Os dois riam e conversavam sobre histórias antigas. Mencionaram algo chamado Finados, uma vitória do passado. Nada relevante para minha investigação. Soava como uma conversa banal entre velhos conhecidos, quase uma lembrança nostálgica compartilhada em uma taverna.


Em algum momento, Edin simplesmente desapareceu. Não vi para onde foi. É possível que, assim como Sardom, seja um vampiro — ou outra criatura das trevas com habilidades avançadas de locomoção. De qualquer forma, anotei tudo o que pude. Após eliminar o vampiro, poderei considerar este novo alvo.


Segui Sardom por mais algumas quadras, até que ele saltou para os telhados e saiu do meu campo de visão. Ainda assim, observei a direção que tomou: as fazendas. Não há registros recentes de vítimas naquela região — ou, ao menos, corpos encontrados para serem relatados.


Suspeito que esteja se escondendo por lá. O dia já ameaçava amanhecer quando ele seguiu naquela direção. Um fato curioso sobre vampiros é sua fraqueza à luz solar. Há certa ironia no mundo: criaturas que se consideram “tão superiores” não podem caminhar sob o sol sem serem lentamente desintegradas.


Sardom tem sido o maior desafio da minha carreira.


Fui designado para caçá-lo após meu antecessor ser encontrado morto em sua própria cama, com a garganta aberta. O vampiro não drenou seu sangue, tampouco o matou de imediato. O corpo de Vilkas apresentava múltiplos cortes e hematomas. Seus braços e pernas exibiam marcas profundas deixadas por cordas que o mantiveram preso.


Sardom o torturou... O que era estranho para ele, não haviam registros de práticas de tortura vindas de Sardom em suas outras vítimas.


Ele se diverte sendo caçado. Acredita-se invencível.


Mas é imprudente. Apesar da aparência juvenil, possui um temperamento explosivo — algo que pode ser usado contra ele. Seu ego é excessivo. Nas três ocasiões em que o observei interagindo com outros, sempre humilhou aqueles que ousaram dirigir-lhe a palavra. Parece nutrir um ódio particular por humanos. Nunca o vi se alimentar de outra espécie.


Tenho seguido seu rastro por nove cidades. A cada três meses, ele se muda, quando sua pilha de corpos começa a chamar atenção demais. Minha investigação conclui que—


Estranho.


Eu poderia jurar que deixei a janela do meu quarto fechada.


Ainda assim, posso me permitir um momento de tranquilidade. Com o sol brilhando tão forte lá fora, certamente—


(o texto se encerra abruptamente)


(Escrito em sangue, com outra caligrafia, é possível ler:)


Olá, Ordem dos Caçadores — ou seja lá o nome que vocês gostam de usar.


Tenho achado divertidas essas tentativas de me caçar. Confesso, porém, que seus últimos homens enviados eram extremamente fracos. Entediam-me com facilidade. Este aqui, por exemplo, nem percebeu minha presença enquanto escrevia suas últimas palavras.


Podem mandar alguém mais forte?


Faz muito tempo que não enfrento um inimigo verdadeiramente poderoso. Ser tão forte tem seu preço. Hahaha!


Estarei esperando por vocês.


Do seu “amigo”,


Sardom.



Créditos:

Personagem (Sardom) original de Taira Karuoshima.

Conto escrito por Vinicius Botelho.

1 comentário


Zaravas
Zaravas
02 de jan.

Caralho q foda o caçador virando a caça, e ainda pedindo um mais forte oloco

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