top of page

Carol “Iron” Dragmull

Karollk Dragmull, hoje chamada de “Carol”, nasceu ogra, filha de Diluluk e Ialeila Dragmull. Teve ainda um irmão mais velho, Buruk. Todos pertenciam ao Clã Mull, um nome que hoje não ecoa mais em lugar algum.

Diluluk era um grande guerreiro, Ialeila ferreira de armas e armaduras, Buruk aventureiro por vocação. Com eles, Carol aprendeu tudo o que sabia, tanto nas lições do lar quanto nos perrengues que compartilhavam.

O Clã Mull fora, por gerações, um poderoso clã de ogros: Tribalista, nômade, sempre em movimento pelo reino em busca de recursos. Não mantinham boas relações com povos mais civilizados. Preferiam distância. Ainda assim, com frequência, o conflito os encontrava primeiro.

A queda começou de forma pequena e cruel, como costumam começar as tragédias. Um jovem ogro, dos menos intimidadores, entrou numa vila para comprar ferramentas necessárias ao clã. Era prática comum enviar os mais mirrados para evitar conflito, mas aquela era a vila errada. Aos gritos de um nobre enojado pela presença do pequeno, homens violentos o espancaram quase até a morte. A vingança veio em seguida: o pai e o irmão do garoto mataram os agressores. Em resposta, os guardas do nobre massacraram a família envolvida. Por fim, o clã inteiro revidou, e a vila foi dizimada.

Depois disso, o Clã Mull fechou-se por completo ao mundo. Mesmo quando precisavam de algo, sobreviviam com a poeira que conseguiam arrancar da terra e da sorte do acaso.

Foi então que chegou o inverno mais longo da década. A fome tomou o clã um a um. Em sua eterna fome, ogros passaram a devorar outros ogros. O próprio filho do irmão de Diluluk tentou atacar Ialeila e arrancou-lhe um dedo. Carol, com apenas cinco anos e empunhando uma faca que ela mesma havia forjado, matou o primo sem remorso para proteger a mãe.

Diluluk se opôs ao líder Mull. Muitos o seguiram. Dizia que não valia a pena deixar o clã morrer de fome apenas para evitar o risco de conflito. O desacordo virou guerra interna. Um terço dos guerreiros caiu… e serviu de alimento aos vencedores. Diluluk tornou-se líder, e o clã voltou a interagir com vilas menores, comprando recursos quando necessário.

Alguns anos depois, erraram novamente de vila. Não a mesma, mas sob circunstâncias semelhantes. Os ogros enviados para comerciar foram reconhecidos como membros do clã que, anos antes, saqueou uma vila e matou um lorde de terras. Os três foram enforcados. Suas cabeças, fincadas em estacas.

Esperava-se nova retaliação. Mas, dessa vez, foram os humanos que vieram. Vieram armados, numerosos, surgindo de todos os cantos. O clã foi dizimado.

Diluluk morreu ali. Ialeila, porém, tomou os filhos e fugiu. Continuaram viajando, agora forçados a comerciar diretamente com a raça que exterminara seus entes queridos. Vestiam mantos e trapos que ocultavam cada resquício de sua pele verde. Diziam-se albinos ou doentes aos que perguntavam. Nunca permaneciam muito tempo no mesmo lugar.

Foram incontáveis as noites de estômago vazio e frio tremendo em estábulos onde dormiam de graça.

Buruk era audacioso. Sempre que encontrava um cartaz de missão, aceitava trabalhos de aventureiro. Derrotou criaturas e bandidos por onde passou, tornando-se conhecido como “o espadachim dos mantos puídos”. Ainda assim, a renda não bastava para sustentar os três, pois os contratos maiores exigiam identidade revelada.

Ialeila vendia seus serviços de forja e metalurgia: ferraduras, consertos de ferramentas, purificação de minérios. Em tempos de miséria, por vezes vendeu o próprio corpo. Revelava sua raça, arriscando a vida de todos, mas às vezes era isso ou mais uma noite de fome.

Muitos homens também exigiam sua filha, muito mais jovem, e se enfureciam quando Ialeila negava. Por medo do que poderia acontecer, vestiu Carol como homem, ensinou-a a engrossar a voz e mandou que treinasse com o irmão para ganhar força, pois era muito mirrada.

Carol ajudava na forja sempre que podia. Quando cresceu um pouco mais, a mãe permitiu que acompanhasse Buruk. Lutaram juntos. À sombra da reputação do irmão, Carol construiu a própria. Tornaram-se conhecidos como os irmãos gigantes: aventureiros viajantes, invencíveis em combate direto. Foram anos mais prósperos, com camas, amigos e comida quente em tavernas e guildas. Mas nada dura para sempre.

A raça de Ialeila foi revelada por um antigo cliente, que a reconheceu durante uma viagem. Preconceituosos passaram a cercá-la com discursos de ódio e ameaças. Ialeila ordenou que os filhos não reagissem, para que sua ligação não fosse descoberta e ninguém percebesse que os irmãos também eram ogros. Ainda assim, as ameaças escalaram. Ialeila foi morta, acusada injustamente de roubo e agressão a uma senhora. Buruk não suportou. Revidou… e foi morto em seguida.

Carol quis destruir todo e cada morador daquela vila, banhar as ruas em sangue e reduzir as casas a cinzas. Mas, se o fizesse, o sacrifício da mãe teria sido em vão, e eles não teriam um funeral digno. Escondeu-se por dias, faminta e gelada, até conseguir recuperar os corpos. Em uma pira, queimou-os, deixando que as cinzas se misturassem ao vento e retornassem à terra.

Nada mais a prendia àquele lugar. Nada restara. Carol cruzou as fronteiras daquele reino maldito e seguiu para outros cantos, onde esperava uma vida melhor.

Forjou então para si uma armadura completa de placas, algo que seu clã nunca tivera. Os Mull eram bárbaros que não vestiam muito metal, mas Carol reconheceu que os humanos haviam criado algo valioso ali. Com o ofício herdado da mãe, fez para si uma couraça que escondia o corpo melhor que os mantos e a protegeria dos inimigos. Era intimidadora, repleta de chifres e espinhos, feita para manter todos à distância e impedir qualquer descuido. Cobria-lhe todo o corpo, ocultando até o rosto em um elmo onde sua voz ecoava grossa e gutural.

Assim, um colosso de metal passou a vagar pelas cidades, aceitando os trabalhos mais difíceis. E o nome começou a correr na boca do povo: Iron, “Ferro”, em uma língua antiga. Carol, e sua vontade de ferro.

Iron nasceu como um aventureiro misterioso, disposto a qualquer trabalho. Foi então contratado por uma grande guilda, onde conheceu pessoas e companheiros. Ainda assim, nunca se abriu de verdade com ninguém… não antes deles: Francis e Trix.

1 comentário


Zaravas
Zaravas
06 de jan.

oloco isso aqui ta bom dimais

Curtir
Odisseia Card Game - Logo

CNPJ: 61.536.185/0001-48

Nome do dono/sócio administrativo:

Vinicius R. Botelho Drummond

Contato:

  • Whatsapp
  • Youtube
  • Instagram
bottom of page