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O Legado do Velho Herói


Gregóry, o Cavaleiro da Santa

Gregóry e Elana cresceram órfãos nos corredores gélidos do Convento de Beltund, herdeiros de um legado quebrado: o pai clérigo morto pelos fungos funerários e a mãe cavaleira que morreu ao trazer Gregóry ao mundo. Elana recebeu a espada abençoada da família, enquanto Gregóry, rebelde mas ferozmente protetor, treinava entre os monges guerreiros.


Então, a tragédia caiu sobre Beltund: um terrível lich atacou o convento para raptar fiéis. Elana colocou-se diante das crianças do orfanato e deu a vida para salvá-las, morrendo como mártir. A igreja a proclamou Santa Guardiã de Beltund, e seus restos foram selados na cripta sagrada.


Arrasado pela culpa, Gregóry jurou diante do túmulo da irmã que exterminaria todos os lichs. Entrou para o Expurgo, levando consigo a espada que era o último elo da família. Lutou por anos até que sua imprudência o levou à morte… mas não foi seu fim, longe disso!


O espírito de sua falecida irmã chamou-o de volta, operando um milagre, cobrando sua promessa.


Com sua ressurreição, a devoção dos soldados à santa se intensificou, dando origem aos Cavaleiros da Santa, paladinos abençoados por Elana. Guiado pelas bênçãos da irmã, Gregóry ascendeu como líder e tornou-se um herói venerado, dedicando cada vitória à santa que continuava a protegê-lo do além da morte.



Foice da Santa Profanada

Rumo ao fim do expurgo, o paladino se viu frente a seu nemesis. Sua promessa não tinha data limite e seus esforços não podiam parar até o último lich estar verdadeiramente morto, e agora sua vingança por sua irmã estava próxima.

Mas foi em sua empreitada heroica, acompanhado por seus soldados e pelo espírito de sua irmã, que ele o reencontrou. O mesmo desgraçado que havia morto a santa, que tinha tirado desse mundo sua última ligação de sangue, seu último laço familiar.

A vingança borbulhou no reencontro com o Lich, e ele se viu tomado pela fúria, imprudente e confiante no poder que tinha adquirido. Sua espada sagrada, as bênçãos da santa, os anos de experiencia, ele iria trucidar aquele maldito de uma vez por todas com todas suas forças!

Mas ele falhou… E o Lich o deixou vivo para presenciar seus atos hediondos, o forçou a assistir enquanto ele profanava a cripta onde a ela foi sepultada, onde ele consumiu sua própria alma, fazendo a santa se perder para sempre.

O paladino chorou, berrou e ruiu, impedido de reagir, podendo fazer nada além de assistir.

Mas não satisfeito, o Lich ainda tomou os restos mortais da cripta e dos ossos sagrados transformou milagre em sacrilégio, fez uma arma de seu esqueleto, a Foice da Santa Profanada, em sua eterna expressão de sofrimento.



A Espada Esquecida

Quando não lhe restava mais nada, quando seus poderes se esvaíram, quando seus companheiros se foram e ele se viu sozinho, restou apenas o legado de sua família, sua espada… Mas mesmo ela não podia suportar a imprudência de um espírito vingativo.

Quando um cavaleiro moribundo buscou por vingança, mantendo sua palavra, seu juramento, ela reluziu pela última vez, o mesmo fio com qual sua mãe cortou tantos vilões, pelo qual foi ovacionada como heroína, a mesma arma que seu pai depositou até suas mais ínfimas bênçãos.

A lâmina se partiu contra os servos das trevas, estilhaçada como vidro, e a vingança se tornou um desejo inalcançável, a promessa impossível. O herói caiu, e desta vez não tinha como levantar.



O Chamado do Herói

Quando a espada, perdida havia séculos, foi enfim reencontrada, guardada como artefato sagrado e zelada com devoção quase reverente, revelou-se não uma bênção, mas uma maldição velada. Os companheiros mais próximos tombaram, e aquele que empunhava a lâmina quebrada apenas lamentou. Lamentou em solidão absoluta.

A arma pareceu sentir o peso do luto, a mágoa e a profunda injustiça, ecoando o espírito do pobre companheiro que clamava por justiça. Era como se o próprio metal sussurrasse, exigindo vingança daquele que a carregava.

E quando a lâmina partida enfim provou o sangue, quando o inimigo vil caiu morto, ela chamou por seu dono, pois o mundo ainda necessitava de seu legado, e a promessa que a ligava a ele permanecia, ainda, por cumprir.



O Velho Herói Caído

Dos escombros da tumba antiga ressurge um morto vivo, não algo profano e abominável, mas sim um guerreiro fruto de uma promessa. Um esqueleto ainda trajando os restos de armadura que vestia em vida, ainda cravejado de flechas e cravado com a espada que tirou sua vida, e ainda com o mesmo ímpeto. Não havia nenhum fungo funerário nele, nenhum poder maligno, apenas uma essência que tomou a espada quebrada de volta.

“A promessa pede um sacrifício e eu sempre responderei seu chamado, pois meu legado perpetuará!”



O Legado do Herói

A cada golpe sua espada tomava forma, a cada inimigo derrotado recuperava seus fragmentos, a cada ato de justiça seus poderes mágicos retornavam, seu legado se mantinha.

O Velho Herói Caído ressurgia para manter sua palavra, para cumprir sua promessa, e expurgar até o último lich, e quando não restasse nenhum, ele cravaria sua espada na pedra e descansaria finalmente.

Seu legado seria de justiça, seria uma promessa paga, um propósito cumprido.

“Aos que vierem depois, em nome de meu pai, minha mãe e minha irmã, que nossos espíritos guiem suas mãos, que os heróis de outrora perpetuem, que quando lendas esquecerem de cada um de seus nomes, sua bravura, justiça e bondade seja lembrada… e inspire um futuro melhor.”

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